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M Micromídia

05 de agosto de 2026 · 4 min de leitura

A nota fiscal mudou na segunda-feira — mas a sua talvez só em 2027

  • Reforma tributária
  • Nota fiscal
  • Pequeno negócio
  • MEI

Na segunda-feira, 3 de agosto de 2026, entrou em vigor uma mudança na nota fiscal eletrônica que já andou assustando muito comerciante: a NF-e passou a exigir os campos de IBS e CBS preenchidos. Sem eles, a SEFAZ rejeita a nota na hora — e nota rejeitada é venda parada, entrega travada e cliente esperando no balcão.

A pergunta que importa é: isso vale para você?

Provavelmente não. Ainda.

Quem já é obrigado desde 3 de agosto

A obrigatoriedade começou para as empresas do Lucro Presumido e do Lucro Real — o que nos sistemas aparece como CRT 3, Regime Normal.

Se a sua empresa está num desses regimes, a regra já está valendo. O sistema emissor precisa estar atualizado conforme a Nota Técnica 2025.002, e a nota precisa sair com os grupos novos preenchidos. Não é opcional e não tem carência.

Quem tem prazo até janeiro de 2027

Simples Nacional e MEI ficaram de fora por enquanto. O prazo para esses regimes é 4 de janeiro de 2027.

A Nota Técnica separa isso de forma explícita: o CRT 4, que é o MEI, só entra nas regras dos novos tributos a partir de 2027. E, pela Lei Complementar 214/2025, as operações do Simples Nacional nem sequer estão sujeitas às alíquotas de teste deste ano.

Traduzindo para a padaria, o salão, a oficina e a lojinha da rua: se você é MEI ou Simples Nacional, nada mudou nesta segunda-feira. Você continua emitindo nota como sempre e continua pagando o DAS do mesmo jeito.

Então o que são esses tais IBS e CBS?

São os dois impostos que vão substituir o emaranhado atual. O IBS entra no lugar do ICMS (estadual) e do ISS (municipal). A CBS substitui PIS e Cofins (federais). É o coração da reforma tributária, que vai ser implantada aos poucos até 2033.

2026 é ano de ensaio. As alíquotas são simbólicas — 0,1% de IBS e 0,9% de CBS — e a apuração é apenas informativa. Ou seja: para quem já é obrigado, o objetivo deste ano é fazer o sistema aprender a calcular e destacar, não arrecadar.

É por isso que a mudança de agora é de layout de nota, não de conta a pagar.

O risco real de quem já é obrigado

Não é multa. É pior: é a nota não sair.

A validação acontece no momento da emissão. Se o campo vier ausente ou errado, a SEFAZ devolve a rejeição e a operação simplesmente não acontece. Numa empresa que fatura todo dia, isso significa mercadoria parada na doca e caixa travado.

Quem descobre isso às 17h de uma sexta-feira, com o caminhão carregado, entende o tamanho do problema.

O que fazer esta semana

Primeiro, descubra o seu regime. Não chute. Está no cartão CNPJ ou o seu contador responde em trinta segundos. É a informação que define tudo daqui para frente.

Se for Lucro Presumido ou Real: confirme hoje com quem cuida da sua contabilidade se o emissor já foi atualizado, e emita uma nota de teste. Não espere o cliente na porta para descobrir.

Se for MEI ou Simples Nacional: respire. Você tem até janeiro de 2027. Mas coloque um lembrete para outubro — o momento de conferir se o seu emissor está pronto é antes do prazo, não em cima dele.

Vale para todos: o sistema que você usa para emitir precisa receber atualização. Sistema abandonado, comprado uma vez há oito anos e nunca mais atualizado, é o que mais vai dar dor de cabeça nessa transição.

Uma ressalva honesta

Este texto é uma orientação geral para você não ser pego de surpresa — não substitui o seu contador. Regime tributário tem detalhe, exceção e particularidade por atividade, e quem responde pela sua empresa é quem conhece os seus números.

Se você não tem contador e é MEI, este é um bom momento para procurar um. O ano que vem vai exigir mais atenção do que este.

O que isso tem a ver com informática

Tudo, na prática. A reforma tributária é, do ponto de vista de quem toca um negócio pequeno, um problema de sistema e de planilha: emissor atualizado, notas conferidas, controle de entradas e saídas organizado, e alguém que saiba ler o que está saindo dali.

Quem tem esse controle na mão atravessa a transição sem sobressalto. Quem depende de anotar em caderno vai sentir cada mudança dessas como um susto.

E de 2026 a 2033 vão ser muitas.

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