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M Micromídia

16 de agosto de 2026 · 6 min de leitura

24 milhões caíram no golpe do Pix em um ano — e não é mais coisa de idoso

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Uma pesquisa do Datafolha com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, feita em junho de 2025 com 2.007 pessoas em 130 municípios, estima que 24 milhões de brasileiros foram vítimas de golpe do Pix ou de boleto falso no período de um ano.

O prejuízo somado chega a quase R$ 29 bilhões. A média por vítima é de R$ 1.198.

E tem um número que assusta mais que os outros: 14% dos entrevistados disseram ter caído em um golpe desses. No ano anterior eram 10%. Em doze meses, subiu quase pela metade.

Primeiro, uma crença que precisa cair

Existe uma ideia confortável de que golpe é coisa de gente idosa. Ela é falsa, e acreditar nela é justamente o que baixa a guarda de quem se acha esperto.

Os dados da Serasa Experian para o primeiro semestre de 2025 mostram 1.042.031 tentativas de fraude contra pessoas de até 25 anos — alta de 43% sobre o mesmo período do ano anterior.

Esse volume superou o das faixas mais velhas: 946 mil tentativas contra pessoas de 51 a 60 anos, e 837 mil contra maiores de 60.

O que muda é a isca, não a vulnerabilidade:

Com os jovens, o golpe entra por promessa de dinheiro fácil, vaga de emprego, promoção e prêmio.

Com os mais velhos, entra por engenharia social: falsa central do banco, o parente com número novo, o funcionário que liga dizendo que a conta foi invadida.

Ninguém está fora da lista. Só muda a porta por onde tentam entrar.

As cinco conferências antes de apertar “pagar”

Levam dez segundos cada uma. É o preço de R$ 1.198.

1. Confira o NOME, não a chave

Antes de confirmar qualquer Pix, o aplicativo do banco mostra o nome de quem vai receber. Leia. É a etapa que quase todo mundo pula.

Se você acha que está pagando à Loja Tal e aparece o nome de uma pessoa física desconhecida, pare ali. Não confirme “para conferir depois” — depois não existe: Pix cai na hora.

2. Desconfie da pressa

Golpe funciona porque tira o seu tempo de pensar. “É agora ou perde”, “só até hoje”, “preciso resolver antes que bloqueiem”, “não conta pra ninguém”.

Nenhuma instituição séria exige decisão em cinco minutos. Nem banco, nem loja, nem prefeitura, nem a Receita.

Se a mensagem tem urgência, isso sozinho já é motivo de suspeita — antes mesmo de você olhar o conteúdo.

3. Ligue para o número que você já tem

O parente que “trocou de número” e o gerente que “está te ligando do banco” resolvem-se do mesmo jeito: desligue e ligue você.

Para o parente, ligue no número antigo, o que está na sua agenda há anos. Para o banco, ligue no número que está atrás do seu cartão.

Nunca ligue para o número que a própria mensagem forneceu. É como pedir o documento de alguém e aceitar que ele escreva num papel.

E combine uma palavra-senha com a sua família. Uma palavra boba, que só vocês saibam. Se chegar pedido de dinheiro, peça a palavra. Golpista não sabe.

Boleto por WhatsApp, cobrança por SMS, link de e-mail — nada disso deve ser pago direto.

Abra o aplicativo do banco e pague por lá, digitando ou lendo o código. Ou entre no site da empresa digitando o endereço você mesmo, sem clicar em link nenhum.

Um boleto falso é idêntico a um verdadeiro. O que denuncia é o beneficiário, que aparece na tela do banco antes de você confirmar. Leia o nome antes de pagar.

5. Confira o valor com calma

Parece bobagem, mas é onde muita gente perde dinheiro sem golpe nenhum: um zero a mais, uma vírgula no lugar errado.

E, no Pix, valor não volta. Devolução depende da boa vontade de quem recebeu — ou de um processo demorado.

O detalhe que quase ninguém sabe

A pesquisa do Datafolha achou uma coisa que vale ouro: quem teve o celular roubado ou perdido tem quase quatro vezes mais chance de sofrer um golpe do que o resto da população.

Faz sentido. O celular hoje é a chave do banco, do e-mail, do WhatsApp e da sua lista de contatos — que é a lista de pessoas em quem o golpista vai se passar por você.

Três coisas que valem hoje, no seu celular:

Senha ou biometria para abrir o aparelho. Se o seu celular abre deslizando o dedo, qualquer um que o pegue tem tudo.

Bloqueio de tela do WhatsApp, com senha ou digital, dentro do próprio aplicativo.

Limite baixo de Pix para o período da noite. Dá para configurar no aplicativo do banco. Se alguém pegar o seu celular às onze da noite, o estrago tem teto.

Se você já caiu

Não é vergonha e não é burrice. São 24 milhões de pessoas.

Aja rápido, nessa ordem:

  1. Ligue para o banco e peça o MED — Mecanismo Especial de Devolução do Pix. Ele permite bloquear e devolver valores em caso de fraude, mas depende de o dinheiro ainda estar na conta de destino. Cada minuto conta.
  2. Registre boletim de ocorrência. Dá para fazer pela internet na Delegacia Eletrônica.
  3. Troque as senhas do banco, do e-mail e do WhatsApp.
  4. Avise a sua família e o seu grupo de trabalho — se pegaram o seu WhatsApp, o próximo alvo são eles.

Quer isso tudo num guia só, pra consultar quando bater a dúvida

Reuni os golpes mais comuns de hoje — WhatsApp clonado, os três golpes do Pix, o parente em emergência com voz clonada, boleto falso, falsa promoção — num guia único, com um checklist de 60 segundos pra usar toda vez que uma mensagem te deixar em dúvida.

WhatsApp e Pix Seguros — guia em PDF, R$ 15, pra ler no celular ou no computador.

O que isso tem a ver com escola de informática

Nenhuma dessas cinco conferências é conhecimento técnico. É hábito.

Só que hábito se aprende com alguém do lado mostrando, na sua tela, com o seu aplicativo — não lendo lista na internet e achando que entendeu.

É isso que a gente faz nas turmas de Informática Tradicional e no Informática 5.2: sentar com a pessoa, abrir o aplicativo do banco dela, configurar limite, ativar a biometria, mostrar onde aparece o nome do recebedor. Turmas de até 12 alunos, no ritmo de quem está aprendendo.

E se você só quiser ajuda para configurar o seu celular, apareça aqui. Rua Rodrigues Leme, 291, desde 1995.


Fontes: pesquisa Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgada em agosto de 2025 · Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian, primeiro semestre de 2025.

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