02 de setembro de 2026 · 5 min de leitura
Ninguém é contratado por saber Excel. Muita gente é eliminada por não saber.
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Em 2025, a plataforma americana Course Report analisou mais de 12 milhões de anúncios de vaga de tecnologia publicados no Indeed e contou quantas vezes cada ferramenta aparecia.
O resultado embaralha o que a gente costuma ouvir:
| Habilidade | Vagas |
|---|---|
| Excel | 531 mil |
| Microsoft Office | 344 mil |
| HTML | 129 mil |
| Python | 67 mil |
| Machine Learning | 31 mil |
Excel aparece em quase oito vezes mais vagas que Python.
E vale reparar num detalhe que torna o número mais estranho ainda: eram anúncios de tecnologia. Não é que a planilha ganhou porque entraram vagas de recepção e de estoque na conta. Mesmo no meio onde se esperaria programação, quem manda é a planilha.
Antes de tirar a conclusão errada
Dois avisos honestos, porque esse dado costuma ser mal usado por quem vende curso.
O estudo é dos Estados Unidos. O mercado brasileiro não é aquele, e seria desonesto apresentar o número como se fosse daqui.
E ele não diz que Excel vale mais que Python. Diz que é mais pedido — coisa diferente. Uma vaga de programador Python paga bem justamente porque poucas pessoas fazem aquilo. Excel aparece em mais anúncios porque quase toda função encosta em planilha em algum momento.
O que os dados brasileiros mostram
Aqui a Catho pesquisou o que micro, pequenas e médias empresas — que geraram 80,5% dos empregos do país em 2025 — procuram na hora de contratar.
Entre as habilidades técnicas:
| Habilidade | Empresas que citaram | |
|---|---|---|
| 1º | Inteligência artificial | 47,9% |
| 2º | Raciocínio lógico e analítico | 39,5% |
| 3º | Análise de dados e BI | 32,2% |
| 4º | Automação de processos | 31% |
| 5º | Pacote Office | 25,7% |
Repare: o Office é o último dos cinco. Fica atrás de inteligência artificial, que é o assunto do momento.
Os dois dados juntos dizem uma coisa só
À primeira vista eles se contradizem. Lá o Excel domina; aqui ele é o quinto.
Só que não se contradizem. Eles medem coisas diferentes — e é aí que está o ponto:
A pesquisa brasileira mediu o que as empresas desejam. O estudo americano mediu o que os anúncios exigem.
Ninguém escreve numa vaga “procuramos alguém com raciocínio analítico e domínio de Excel avançado” porque o Excel é empolgante. Escreve porque, sem ele, a pessoa não consegue fazer o trabalho no primeiro dia.
Daí a frase do título, que é a lição prática de tudo isso:
Saber Excel não te contrata. Não saber te elimina.
É requisito de entrada, não diferencial. Como pedir CNH numa vaga de vendedor externo — ninguém é contratado por ter carteira, mas quem não tem nem chega à entrevista.
O que isso significa na prática
Se você está procurando emprego, planilha não é o que vai te destacar — é o que impede você de ser cortado antes da conversa. É o piso, e o piso precisa estar de pé.
Se você já trabalha, é o oposto: aí a planilha vira sim diferencial, porque quem resolve em dez minutos o que o colega leva a tarde inteira fazendo à mão fica visível. E costuma ser a pessoa a quem se pede o relatório.
E se você é o dono do negócio, o cálculo é outro: alguém que sabe cruzar dados de venda e estoque numa tabela dinâmica economiza mais tempo do que a maioria dos sistemas que se paga por mês.
Por onde começar, se for começar
Não é preciso “aprender Excel” inteiro. O que aparece nas vagas e no dia a dia é sempre o mesmo punhado de coisas:
Organizar — congelar painel, filtrar, ordenar, formatar como tabela. Parece pouco, e é o que separa uma planilha usável de um amontoado de células.
Somar com critério — SOMASE e CONT.SE. Somar tudo é fácil; somar só o que interessa é o que se pede.
Cruzar duas listas — PROCV ou PROCX. É o que mais aparece em teste prático de seleção, e o que mais trava quem nunca viu.
Tabela dinâmica — resumir mil linhas numa tela sem escrever uma fórmula. É o recurso que mais impressiona e um dos mais simples de aprender.
Um gráfico limpo — porque em algum momento alguém vai pedir “manda isso num slide”.
Com essas cinco coisas você atende à esmagadora maioria do que as vagas chamam de “Excel intermediário”.
O ponto que fica
O dado bonito é o do Excel batendo o Python oito a um. Mas o dado útil é o brasileiro, e ele diz o contrário do que parece: o mercado quer inteligência artificial, análise de dados, automação.
Só que continua exigindo planilha antes de tudo isso — porque IA e análise de dados começam em dados organizados, e organizar dado é exatamente o que se faz numa planilha.
Aprender Excel não é apostar no passado. É construir o degrau de onde o resto sai.
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